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Na minha passagem pelo Japão encontrei vários obstáculos. Várias pedras no caminho. Estas adversidades que sempre considerei como circunstâncias da vida, foram molas propulsoras que me impulsionaram a seguir em frente, não importando o grau de dificuldades - emocionais, psicológicas, mentais ou físicas -, e sim, o conteúdo de aprendizagem que vinham dentro do pacote. 

Às vezes nadamos contra a correnteza, outras nos acomodamos em ficar à beira da margem do rio e, em algumas realmente resolvemos seguir o curso da correnteza, enfrentando o desafio de novas descobertas. Quando deixamos a vida fluir em volta de nós mesmos e seguimos em frente, confiante que o destino sempre nos reserva surpresas maravilhosas e que acima de tudo basta ter fé. Esta fé em algo ou alguém é uma força divina - transcendental - que remove tudo do seu caminho para que se cumpra um propósito na vida de uma pessoa.

Ficar à margem da vida - sentimento de apego - é deixar o tempo passar. É deixar de crescer. Esta sensação de segurança é uma ilusão que mais tarde se descortinará diante dos olhos e, quando isto ocorrer, tarde descobrirá o quanto se perdeu em sua vida, porque ao olhar em volta perceberá que muitos já nem estão ao lado, e que já se perderam de vista. Seguiram adiante.

Ao nadarmos contra a correnteza - a teimosia -, compreenderemos tardiamente quando o cansaço se fizer presente, que tudo foi em vão. E, lastimamos que ninguém deu valor ao esforço sobre-humano que fizemos, sofrendo desnecessariamente por isso. Muitas vezes, temos a boa intenção de querer o bem para todos ou para a pessoa amada, mas esquecemos de que cada pessoa tem o seu próprio mundo interior, onde os desejos, anseios, ideais e sonhos têm a sua particularidade pessoal. 

Entregarmos parte da nossa vida - problemas, dificuldades, medos, inseguranças, conflitos, etc. - nas mãos do divino, não só tira o peso como alivia a carga para prosseguir em nossa jornada terrena. Confiança e fé nesta força poderosa é o melhor remédio para os infortúnios na nossa caminhada, porque Ele lá em cima, olha, ampara, protege a nós, aqui embaixo. A vontade divina é que sejamos felizes aqui e usufruamos da abundância que nos foi concedida por sermos filhos Dele. 

Se a palavra "filhos" tem um significado espiritual profundo, entende-se que no mínimo somos irmãos, diante Dele. Neste caso, qual seria a nossa relação de irmandade que temos com os nossos irmãos aqui na Terra? Alguém já parou para analisar... e refletir sobre isto? Temos a coragem de olhar para dentro de nós mesmos e nos conscientizamos de como temos vivido as nossas vidas de forma errada? E como esta atitude tem ocasionado tanta confusão e conflito nas relações humanas? 

Onde está aquele sentimento tão lindo, tão maravilhoso, tão especial que temos com os nossos irmãos da família na qual encarnamos nesta vida? As outras pessoas não poderiam ser também nossos irmãos em vidas passadas? Companheiros e companheiras de jornada? Que a troca de personagens em cada existência tem um propósito também de aprendizado? Que este propósito está ligado à nossa capacidade de amar... e amar incondicionalmente? 

As nossas relações de amizades contêm algo tão profundo, quanto espiritual. São relações de irmãos e irmãs. De companheiros e companheiras ao longo da nossa existência terrena, que se estende há milhares e milhares de vivências mútuas, entre alegrias e tristezas, dores e sofrimentos e, sonhos e realizações. O esquecimento disso impede-nos de alcançarmos a grandiosa missão que temos aqui ao nosso alcance. A de sermos plenamente felizes. 
Portanto, vamos todos parar uma pouco nestes dias e meditarmos sobre isso. Vamos rever os nossos laços de irmandade através do único sentimento que contêm a pureza angelical e, divina. O sentimento de amizade. 

Em todos os momentos, em qualquer circunstância, encontramos uma pessoa amiga que nos ajuda a transpor as dificuldades na vida. Ampara-nos numa travessia para o outro lado da margem do rio, socorre-nos se estivermos afogando, ou nos acompanha no percurso até o mar. E, esta amizade... é o maior tesouro da vida! 

Faça aquilo que o teu coração sempre sussurrou. Diga a esta pessoa amiga, o quanto a ama. Experimente. Terá as mais lindas surpresas que jamais sonhou. Aprendi a prática disto na minha adolescência, quando o Mestre me orientou:

- O que quer que faças... seja o Amor!

- Onde quer que estejas... seja o Amor! 

- Aconteça o que acontecer... seja o Amor!

Então, diga assim: 

- Eu te amo -, é uma palavra mágica. Faz milagres!

Paz em teu coração!

Shima
(02.11.2012)

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