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As pedras do caminho
As pedras do caminho I
As pedras do caminho III
As pedras no caminho IV
A Carta Polémica 2006
O Universo Responde

 A Fraternidade Negra

De volta para Toyohashi, a cidade onde residia no Japão, eu continuei passando por diversas situações novas. A melhor novidade veio no mês seguinte quando estava me barbeando. Enquanto olhava no espelho, apareceu de repente uma imagem estranha e me assustei, saindo da frente do espelho. Foi cômico demais. Perguntei-me porque estava com medo se era apenas uma imagem. Meio desconfiado, voltei ao espelho e procurei ficar tranquilo, vendo as imagens surgindo e desaparecendo como se fosse uma sequência de “slides”. Aí uma voz me disse: são suas imagens de vidas passadas!

Deste acontecimento em diante até o final do ano de 2005, vivenciei outras experiências que marcaram muito a forma como eu vinha vivendo a minha própria vida. Houve mudanças radicais em várias situações relacionadas aos aspectos emocionais, familiares e de amizades. Inclusive tive de arrumar outro emprego. E foi neste período que passei a receber instruções e alertas. Entraria na fase mais crítica do meu desenvolvimento espiritual.

Teria que trabalhar dois pontos importantes que ainda estavam latentes na minha personalidade, embora tivesse consciência deles, mesmo assim continuavam a afetar o meu discernimento. Eram eles: a fascinação e o deslumbramento. São ocorrências normais logo após o despertar. Entender, dominar e controlar estes dois aspectos eram de fundamental importância, pois abrem as brechas para a atuação das forças negativas, que tentam desviar o peregrino do seu verdadeiro caminho.

Por causa do trabalho de divulgação que vinha fazendo através dos artigos que escrevia, o meu mentor espiritual, alertou que isso traria uma série de consequências desagradáveis à minha pessoa. Se conseguisse superar os dois aspectos, estaria fortalecido para seguir adiante na minha jornada. Caso contrário, poderia sucumbir e não conseguir mais me levantar. Isto significaria que todo o processo do meu desenvolvimento até o presente momento, estaria perdido.

Perguntado ao meu mentor espiritual, de que forma eu seria alvo de ataques ou influências negativas, ele apenas me disse que estando sempre atento, eu seria capaz de identificar os métodos utilizados com a intenção de me causar danos. E que neste ponto, saberia que rumo seguir ou a melhor forma de lidar com cada situação. Revelou-me que o discernimento e serenidade eram tudo que necessitaria para vencer a malha ilusória em que seria envolvido.

Foi com este alerta e com essa orientação que retornei ao Brasil em 2006.

Não poderei em tempo algum e em nenhum momento relatar em detalhes, tudo o que me aconteceu nos dias, nas semanas, nos meses e nos anos seguintes após o meu retorno ao Brasil. O peregrino na sua jornada espiritual torna-se um ser solitário, mas a solidão não é confundida com o vazio ou com o isolamento diante do mundo e das pessoas. Pelo contrário, ele interage muito mais, porque se torna um ser expansivo e consciente de si mesmo. A diferença reside apenas no ponto em que ele não se apega a mais nada deste mundo. E assim mesmo, vive no mundo da forma.

A primeira observação que pude fazer foi a de que retornando ao meu país, eu mesmo seria considerado um “estrangeiro”, não só porque havia permanecido longe por 16 anos, mas porque aquele indivíduo que saíra um dia de um jeito, com uma personalidade marcante, voltava totalmente transfigurado e transformado interiormente, que dificilmente seria reconhecido por seus pares. Isto era um fato indiscutível. “Sofri” isso logo na chegada ao Brasil.

A aterrissagem no aeroporto de Guarulhos em São Paulo, teve o significado que só pude perceber na verdade, anos depois. Eu tinha voltado ao mundo da tridimensionalidade. E o mergulho seria catastrófico se não fosse a consciência da própria realidade em que vivia nesta nova fase. E, mesmo assim fui envolvido num imenso nevoeiro de ilusões, onde acabei me perdendo por um bom tempo. Dificilmente conseguia sair da letargia e da dormência que fui submetido numa sequência de fatos, que mal davam tempo para poder respirar.

Três meses depois estava totalmente desesperado, atordoado e confuso. Se não fosse por uma nova intervenção “lá de cima”, eu teria sucumbido numa noite tenebrosa, nas águas escuras do mar em Santos, numa tentativa de suicídio. Foi mais um entre tantos “milagres” que ocorreram comigo desde a idade que me conheço por gente, na verdade, isso acontecia desde os sete anos. Antes de terminar o ano de 2006, eu estava novamente “jogado na lona”.

No final de novembro daquele ano acabei retornando para Brasília.

Longe da confusão que havia se tornado a minha vida, pude enfim refletir e meditar sobre tudo o que tinha acontecido nos últimos cinco meses. Olhava para mim e dava risada, porque havia perdido uns nove quilos e estava parecendo um “cadáver”. Bem diferente mesmo daquele cara que havia retornado ao Brasil meses atrás. As perdas materiais foram imensas. Só fui compreender o porquê destas perdas, anos depois, quando pude comprovar por mim mesmo, ao identificar a metodologia utilizada para enganar os incautos.

Durante o mês de dezembro procurei reequilibrar o meu interior para poder prosseguir na minha caminhada. Todos os conflitos que havia vivenciado estavam sendo “digeridos” aos poucos, porque necessitava me conscientizar totalmente do verdadeiro aprendizado que tudo aquilo estava me trazendo. Lembro-me que nesta época, por respeito aos meus leitores, publiquei um artigo alertando sobre o que estava me acontecendo. Levei uma “baita” de críticas e alguns amigos pediram-me para retirar o referido artigo do ar. Assim fiz. Retirei o artigo.

Entrei o ano de 2007 me preparando da melhor forma possível para alicerçar a minha base em Brasília e desta forma poder viver a vida em paz. Embora não conseguisse o tempo que precisava para me readaptar à nova realidade - tentava isto desde o meu regresso ao Brasil -, a pressão das circunstâncias me obrigava a aceitar todas as situações que eram impostas. No que referia a minha parte financeira, ela simplesmente não existia mais. Tinha por necessidade, que correr atrás. Como eu era teimoso, prosseguia confiante de que tudo ia melhorar.



Paz!

Shima

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