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Ao vê-lo, chorei. Estava somente em pele e osso. Nem parecia mais um corpo humano. Quando peguei em suas mãos, imediatamente senti uma pressão dos seus dedos me envolvendo e ao olhar para ele, suas pálpebras se abriram e vi lágrimas escorrerem e, sem mexer os lábios ele disse:

- Filho, me liberte desse sofrimento! - Comovido eu apenas sussurrei:

- Eu vim aqui para isso, pai!

À tarde fiquei sentado ao lado do meu pai que estava em coma, observando tudo o que acontecia em sua volta. Aquela cena no astral, que havia assistido explicava a causa do meu pai nunca ter podido ir embora deste mundo. E precisava descobrir o que o tinha puxado de volta com tanta violência. Estava absorvido nestes questionamentos quando uma enfermeira entrou para trocar o soro. E na sequência a minha mãe se aproximou dela e começou a falar e, a contar o que ela fazia sempre que o meu pai entrava em estado convulsivo. Enquanto ela falava eu conseguia rever cada cena que havia ocorrido ao longo destes 12 anos enquanto o meu pai ficou imobilizado numa cama. Aí foi que descobri tudo.

Estava chocado novamente. Assim que a enfermeira saiu do quarto e na presença de uma irmã, de um tio e de uma tia, eu chamei a minha mãe e comecei a conversar com ela de forma serena, evitando magoá-la. E quando disse que era ela que vinha prendendo o meu pai naquele corpo inerte, ela entrou em desespero e foi embora. Quando todos saíram do quarto, eu havia ficado escalado para permanecer com ele até que outra irmã que ia ficar de plantão naquela noite, viesse me substituir.

Sozinho no quarto com o meu pai comecei a conversar com ele, mesmo ele não podendo me responder, sabia que ele estava me ouvindo. Contei para ele o que ia fazer e passei as orientações que havia recebido para onde ele seria levado, quanto tempo ficaria adormecido até se recuperar e como era o lugar onde estaria internado no mundo espiritual. Em seguida comecei a fazer o desligamento espiritual dos cordões que ainda prendiam o corpo astral no corpo físico.

Quando terminei, ficou apenas um fio que se desvaneceria em algumas horas. Ele precisaria deste tempo. Esperei então a chegada da minha irmã e quando ela veio, eu lhe disse:

- Mana... como você é espírita não tinha pessoa melhor para estar com o pai esta noite. Hoje você vai presenciar algo e não se assuste. O pai vai embora logo e até o amanhecer ele já não estará mais aqui.

Deixei estas orientações e fui embora para casa descansar. Fora uma viagem longa e estava praticamente sem dormir. Ao amanhecer a minha irmã liga do hospital e avisa que o pai havia falecido. Seis meses depois, passei a reencontrar o meu pai no mundo espiritual e o grande presente que recebi no meu aniversário lá no Japão no ano seguinte ao seu desencarne, foi uma visita surpresa por parte dele.

Neste dia ele veio até o meu apartamento, disse palavras de gratidão, e me homenageou com um abraço "tão apertado", cuja energia era de puro amor. A emoção era forte demais. Chorei o dia inteiro, depois que ele se foi. Após a partida do meu pai, a minha vida no Japão entrou na reta final. E toda aquela experiência abriu outros questionamentos sobre a nova descoberta de como fazer projeções da consciência e não mais aquela forma de projeção astral que vinha fazendo até então.

Dentro das fábricas começaram a ocorrer encontros com seres desencarnados, que simplesmente apareciam na minha frente. Estavam perdidos, confusos e sem saber para onde irem. Acabava levando todos eles para os hospitais espirituais. A cada caso que ia surgindo, a minha curiosidade aumentava. O que estava acontecendo comigo?! Comecei a pesquisar mais sobre o assunto, mas nunca conseguia encontrar respostas plausíveis.

Sempre busquei conclusões técnicas, soluções práticas. Nunca aceitei dogmas ou processos complicados. A simplicidade para mim era tudo que sempre busquei na minha vida. Aprendi a ser assim, apenas observando a própria natureza. Tudo é simples! Quando fui chamado para participar das operações de resgate promovidas pelo comando Ashtar, jamais poderia imaginar que as experiências que iria viver, seriam as respostas para tantas indagações.

Comecei a observar tudo, estudando cada detalhe de como as coisas funcionavam. Percebia nitidamente e com tanta lucidez os movimentos que fazia no plano astral em todos os níveis que participava. Quando me vi projetado com a minha consciência mental, a resposta veio. Nunca tinha visto aquilo, muito menos vivenciado uma experiência daquela. A partir da minha projeção mental eu assistia o meu corpo astral em ação, atuando em todas as frentes. Gravava tudo na minha memória. Registrava tudo. E quando voltava ao meu corpo físico, anotava as minhas descobertas. Ponto por ponto.

Nas operações que se seguiam, ia fazendo novas experiências com esta incrível novidade. Havia desvendado algo inusitado. E isto prometia muito. Passei a analisar sobre tudo o que havia estudado até aquele momento, refletindo muito sobre como utilizar esta nova forma de projeção. A última indagação era como isso seria possível. Uma das verdades que tinha plena certeza sempre foi a de que se, a conscientização de algo, era um passo importante para a cura de uma doença, então servia também para quebrar velhos paradigmas.

Retornei aos meus estudos sobre o plano espiritual como um todo, remontando os esquemas que tinha traçado no passado. Como sabia que existia a Lei da Ordem que regia o nosso universo, parei neste ponto. Analisei todo o quadro sobre uma nova perspectiva, agora visualizando de cima para baixo, o nosso processo de involução. Pronto. Ali estava a resposta. Para ter certeza virei o quadro de cabeça para baixo. Ficou comprovada a teoria que havia feito.

Paz,
Shima

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