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A minha primeira experiência na projeção do corpo astral - há diversas nomenclaturas para descrever este evento -, de forma consciente ocorreu na minha adolescência, no início dos anos 70. Este acontecimento foi marcante naquela época porque abriu uma nova fase de pesquisas que vinha fazendo desde então. Nunca fui o tipo de pessoa que simplesmente aceita tudo de forma passiva, ou de acreditar em coincidências e até que tudo é obra do destino. Eu sempre questionei tudo.

Lembro-me que lia muitos livros - era constantemente repreendido por meu pai - que estavam na estante da sala. A maioria dos títulos falava sobre a espiritualidade e, abrangiam os temas de vários autores da Sociedade Teosófica, além de assuntos como yoga, budismo, cristianismo e outras religiões. Os meus autores preferidos sempre foram a H. P. Blavtsky, C. W. Leadbeater, Alice A. Baley, Mabel Collins, Annie Besant, Lobsang Rampa, Arthur E. Powell e vários outros, todos eles editados pela Editora Pensamento.

O estudo sobre vidas passadas que me interessaram muito na adolescência, acabaram me levando a pesquisar sobre a projeção astral, e um dos melhores livros que li naquele tempo foi de C. W. Leadbeater, porque ele mesmo fazia suas incursões neste plano dimensional através de suas projeções, para desvendar muitos mistérios sobre a nossa evolução espiritual e a existência de várias civilizações ao longo da nossa história.

A minha curiosidade sempre foi um instinto incorrigível, e às vezes me dava mal por isso. No fim sempre tirava alguma lição pelas "broncas" que levava (até surras), ou então pela alegria de uma descoberta. Uma força interior sempre me "empurrava" adiante e, nunca desistia de nada. Questionar era algo que fazia naturalmente e não conhecia o termo "pecado", isto porque tinha apenas 12 anos e comecei a questionar a Deus.

Sim, na época era um coroinha da igreja católica e seguia toda a cartilha, mas nada me impedia de querer saber do porque eu via muitas incoerências tantos nos rituais quanto na forma como era passada os ensinamentos. Pré-adolescente, ainda na inocência da vida, fiquei por dois anos "pegando" no pé de Jesus. Eu nunca aceitei aquela imagem embaixo do altar, vendo ele com o peito aberto e sangrando. Era demais para mim! Esse evento em particular será narrado em "Caminhando com o Mestre", inclusive os encontros no nível de projeção que tenho com Ele até os dias de hoje.

Então, era assim que sempre prosseguia quando queria saber algo para poder entender, de uma forma que a minha cabeça pudesse compreender tantas angústias que envolviam a minha alma, com tantas perguntas e nada de respostas convincentes. Era tão persistente no estudo e na pesquisa. Ia fundo mesmo. Quando a cabeça ficava travada, aí parava e ia me distrair com outras coisas ou seguia para a fábrica do meu pai para trabalhar.

No início daquela década aconteceu a minha primeira experiência fora do corpo físico de forma totalmente consciente e lúcida. Ao perceber que estava projetado, sentado na cama, nem olhei para o meu corpo porque sabia que perderia a oportunidade de testar se tudo aquilo era real mesmo. Olhei para o teto e disse: "vamos ver se eu atravesso o telhado!" - e, flutuei. Assim que me vi volitando sobre a minha casa, a sensação de alegria que me envolveu naquele momento era indescritível.

- Nossa! E agora, como faço para voar?! - estava agoniado, sem saber o que fazer.

Como um marinheiro de primeira viagem, eu arrisquei sem medo. Mirei um trajeto além duma árvore e me joguei para frente. Aí, a coisa ficou preta. Eu parecia uma bala de canhão - igual aquele do homem-bala do circo - atravessando casas, árvores... tudo! Era cômico demais me ver girando de forma descontrolada. Estava sem controle e solto no ar. Mesmo nesta situação eu mantinha a minha lucidez e pensava... tentando achar um jeito de encontrar uma solução.

Estava rodopiando como um parafuso quando me veio à mente os filmes que eu assistia na TV e, adivinhe qual? - As aventuras do Superman!!!!!!!!! - Filme antigo, ainda em preto e branco, mas dava para o gasto e naquele instante eu disse para mim mesmo:

- Por que não!?... - E tentei aquelas manobras, usando mais a minha imaginação.

E deu certo. Assumi o controle da situação e comecei a fazer vôos mais aerodinâmicos. Meio patético para dizer a verdade, mas funcionava. Depois de algum tempo fazendo treinamentos, indo de um lado para o outro me veio uma pergunta terrificante: "Meu Deus, e agora? Como é que eu paro isso? Onde é o freio?!!!" Pronto... lascou-se! Olhava tudo em volta, não tinha como me agarrar em nada... nada mesmo! E olhava para baixo... era alto demais... seria uma aterrissagem desastrosa, perdi a coragem de fazer a tentativa.

E o tempo foi passando... Pouco depois caiu a ficha. Se eu estava projetado, então não teria problema algum. Morrer eu não ia... e ria disso. Então olhei para baixo novamente e pensei: - "Só vai ter um jeito de acabar com isto, até que aprenda outra forma da próxima vez. Já que este meu corpo aqui não pode se machucar, então lá vou eu!". E fui. Desci com toda a velocidade na direção do chão. De cabeça mesmo. Senti me espatifar todo! No mesmo instante acordei todo assustado no meu corpo físico... e ri tanto disso, que sempre me lembro disso quando o assunto é projeção.

Com o tempo fui fazendo diversos testes sempre com a intenção de aprender a lidar com este novo corpo que havia descoberto. Continuava estudando e pesquisando cada vez mais. Quando completei os meus dezoito anos, a minha vida sofreu uma guinada incrível com sérios acontecimentos que acabaram bloqueando todas essas experiências e segui outro caminho focado mais na vida material.

Paz,
Shima

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